Tempos atrás escrevi sobre os links e a Web e acabei tocando nas surpresas positivas que temos quando navegamos ou buscamos coisas online. Serendipidade, um anglicismo, eu sei, mas que tem tudo a ver com ciência e com a Web e os resultados de busca ou navegações mais lúdicas que fazemos. Algo que faz você se perder quando vai buscar A e encontra I, o inesperado, mas extremamente relevante. Parece nestes momentos que a Web tem a flexibilidade cerebral que você gostaria de ter. 😉

Mas o caso que quero levantar aqui surgiu durante a aula que dava hoje na qual o tema tornou-se presente a partir de um texto em discussão. Levantaram a questão da otimização dos resultados de busca poder gerar uma monotonia nos resultados. De fato, o foco no usuário já é tudo há algum tempo e ao estarmos logados passamos a receber mais do mesmo, todo o tempo, como se realmente não fossemos seres complexos e estivéssemos querendo as mesmas coisas sempre. A ameaça está posta e o risco presente. Estaremos caminhando para uma formatação dos resultados e dos caminhos possíveis a partir de nós mesmos? Quem foi que disse que eu ou você não somos inteligentes o bastante para gostar de tudo ao mesmo tempo? Como sobreviverão os ecléticos? Onde estará o estímulo à criatividade e ao insight diante de uma oferta frequentemente padronizada de informações, mesmo que oriunda de momentos pontuais de escolhas que fazemos?

Fiquei preocupado com esta questão. Sempre pensei no foco no usuário como uma coisa absolutamente positiva. Mas devemos pensar que este usuário deve ser respeitado, principalmente quanto à sua inteligência e possibilidade de escolha. O mercado é o mercado, busca “empurrar” tudo e tem outros compromissos. O nosso é o de nos mantermos alertas. Sem paranoias ou visões de futuro apocalípticas, mas atentos a tudo que possa estar formatando nossas mentes, retirando de nós o direito a uma surpresa feliz, uma descoberta totalmente inesperada, uma simples e singela serendipidade.