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Mês: setembro 2012

A serendipidade da Web e o foco no usuário

Tempos atrás escrevi sobre os links e a Web e acabei tocando nas surpresas positivas que temos quando navegamos ou buscamos coisas online. Serendipidade, um anglicismo, eu sei, mas que tem tudo a ver com ciência e com a Web e os resultados de busca ou navegações mais lúdicas que fazemos. Algo que faz você se perder quando vai buscar A e encontra I, o inesperado, mas extremamente relevante. Parece nestes momentos que a Web tem a flexibilidade cerebral que você gostaria de ter. 😉

Mas o caso que quero levantar aqui surgiu durante a aula que dava hoje na qual o tema tornou-se presente a partir de um texto em discussão. Levantaram a questão da otimização dos resultados de busca poder gerar uma monotonia nos resultados. De fato, o foco no usuário já é tudo há algum tempo e ao estarmos logados passamos a receber mais do mesmo, todo o tempo, como se realmente não fossemos seres complexos e estivéssemos querendo as mesmas coisas sempre. A ameaça está posta e o risco presente. Estaremos caminhando para uma formatação dos resultados e dos caminhos possíveis a partir de nós mesmos? Quem foi que disse que eu ou você não somos inteligentes o bastante para gostar de tudo ao mesmo tempo? Como sobreviverão os ecléticos? Onde estará o estímulo à criatividade e ao insight diante de uma oferta frequentemente padronizada de informações, mesmo que oriunda de momentos pontuais de escolhas que fazemos?

Fiquei preocupado com esta questão. Sempre pensei no foco no usuário como uma coisa absolutamente positiva. Mas devemos pensar que este usuário deve ser respeitado, principalmente quanto à sua inteligência e possibilidade de escolha. O mercado é o mercado, busca “empurrar” tudo e tem outros compromissos. O nosso é o de nos mantermos alertas. Sem paranoias ou visões de futuro apocalípticas, mas atentos a tudo que possa estar formatando nossas mentes, retirando de nós o direito a uma surpresa feliz, uma descoberta totalmente inesperada, uma simples e singela serendipidade.

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Popeye sabia de tudo? Proteina de espinafre combinada com silício traz avanços para celulas soláres biohibridas.

Folhas de espinafre

Folhas de espinafre

Que para o Popeye o espinafre era fonte de energia extra, isto todos os que gostam de velhos desenhos animados já sabiam. Mas que a proteina fotosintética (PS1) desta planta e de outras fontes poderia ser usada para a produção de células soláres biohíbridas, isto já é novidade.

Cientístas da Universidade de Vanderbilt (EUA) obtiveram com sanduiches de silicio cobertos de PS1 do espinafre resultados duas vezes e meia superiores à estudos anteriores com celulas solares biohibridas. A esperança é que com o tempo poderemos ter células solares muito mais eficientes.

Mas qual o motivo desta notícia ter tido tanta repercussão? Pesquisas em busca de células solares biohibridas estão em curso, e o tema é árido o bastante para passar longe das primeiras páginas dos jornais (por isso parecem novidade para nós). Além disso, aumentar 2.5x os resultados é muito, mas o que se obteve em termos de energia ainda é muito pouco. E apesar de querermos dar o crédito aqui ao conhecimento milenar do marinheiro, na realidade o truque está do outro lado da equação. Para melhorar o desempenho os pesquisadores modificaram as prorpiedades eletricas do silício para que ele funcionasse melhor com a proteína em questão.

Mais uma vez ficamos diante do dado fora da equação que faz a notícia ser notícia. Não tenho dúvida de que o fator Popeye fez toda a diferença na repercusão da matéria. Será que os pesquisadores já estão mudando seus modelos experimentais para ter melhores resultados de mídia?

ResearchBlogging.orgGabriel LeBlanc, Gongping Chen, Evan A. Gizzie, G. Kane Jennings, & David E. Cliffel (2012). Enhanced Photocurrents of Photosystem I Films on p-Doped Silicon Advanced Materials DOI: 10.1002/adma.201202794

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