Elefante Asiático

Elefante Asiático com a ponta da tromba na língua. fonte: Stoeger et al. (2012)

Uma vez tentei aprender um pouco de coreano. Uma língua curiosa em tudo, com um alfabeto inventado (o hangul) sob encomenda no século XV, e que usa caracteres chineses também (como o japonês). No hagul os caracteres são formados por uma aglutinação dos símbolos das vogais e consoantes o que faz um leigo pensar que se trata de um ideograma. Apesar de ter alguma proximidade sonora com o japonês, não tem nada a ver com ele e muito menos com o mandarim, que é uma língua tonal. Normalmente os linguistas o colocam com idioma isolado, ou quando muito junto com as línguas altaicas.

Sua sonoridade não é das mais difíceis, para mim me pareceu razoável aprender um pouco. Diria que um papagaio também não teria dificuldade, mas um elefante? Pode parecer impossível, mas incrivelmente foi encontrado no zoológico Samsung Everland na Coreia do Sul (ah… estes pobres animais de cativeiro) um elefante asiático (Elephas maximus) que “falaria” palavras em coreano. Koshik, o elefante, falaria cinco palavras no idioma segundo seus treinadores: ‘annyong’ (‘olá’), ‘anja’ (‘sente-se’), ‘aniya’ (‘não’), ‘nuo’ (‘deite-se’) e ‘choah’(‘bom’). Outra curiosidade é a forma como ele faz isto. O aparelho fonador dos elefantes não permitiria imitar os sons da fala humana, mas colocando a ponta de sua tromba na língua ele consegue modificar os sons produzidos e como num assobio “falar” coreano.

As explicações para esta habilidade adquirida ficam no convívio por cerca de cinco anos apenas com humanos, os tratadores que falam, obviamente, coreano. 🙂 Para testar se os sons que ele produzia eram realmente compreensíveis, Stoeger et al. (2012) fizeram testes apresentando a 47 gravações de suas “falas” para que 16 coreanos ouvissem e escrevessem o que entenderam. Sua pronuncia de vogais foi bem reconhecida, mas Koshik ainda tem que melhorar nas consoantes, e isto você não vai ver nas notícias de jornal. 🙂 Dos cinco sons que os treinadores dizem serem produzidos por Koshik, apenas o primeiro (annyong) foi espontaneamente reconhecido em 56% dos casos pelos ouvintes. Os resultados baixam para 44% para ‘aniya’, 31% para ‘nuo’ e 15% para ‘anja’. Já para ‘choah’(‘bom’) houve mais confusão do que entendimento, tendo sido transcrito mais frequentemente como ‘boah’(‘olhe’) e ‘moa’(‘pegue’).

Mas segundo os autores este caso, apesar de raro por se tratar de um mamífero, não é exclusivo. Uma foca (Phoca vitulina) chamada Hoover “falava” frases simples em inglês após ter sido criada por um pescador do estado do Maine nos EUA. Uma beluga macho adulta (Delphinapterus leucas) “falava” seu nome ‘Logosi’, e por último, há rumores de um outro macho de Elefante Asiático (Elephas maximus) do zoológico do Cazaquistão que teria sido capaz de “falar” Russo e Cazaque (este eu queria ouvir!).

O incrível também foi perceber que a notícia foi dada de forma simplista na qual os jornais afirmam que Koshik “fala” as tais cinco palavras, sem ponderar que sua imitação é bastante limitada. De fato que é surpreendente para um elefante e mesmo não sendo uma pronúncia perfeita, o fato é que Koshik fala mais coreano do que eu. O pouco que eu aprendi, como não tenho memória de elefante, já esqueci por completo. 🙂

ResearchBlogging.orgStoeger, A., Mietchen, D., Oh, S., de Silva, S., Herbst, C., Kwon, S., & Fitch, W. (2012). An Asian Elephant Imitates Human Speech Current Biology, 22 (22) DOI: 10.1016/j.cub.2012.09.022

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