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Mês: abril 2017

One in a million

Era uma vez um grão de milho
Junto com milhares de outros num armazém em um saco
Queria ele decidir seu destino
Em meio ao debate que se seguia entre os colegas ao seu lado

De um lado, os mais tranquilos,

queriam que um dedo os cravasse no solo
que o chuva molhasse a terra
que o broto se formasse de suas entranhas
que o pé nascesse e crescesse
que o vento soprasse em suas folhas
que a espiga abrigasse seus frutos

tudo na mais tranquila calma
de Sol à Sol, durante todas as fases da Lua
E assim, de um seriam centenas
Como a sensação das horas passadas

Do outro, os mais agitados

Em grupo queriam a surpresa
Juntos queriam o calor da chama ardente
Corajosos queriam enfrentar o óleo quente
Bravos queriam ser jogados de lado a lado
Resistentes queriam o sal ou o doce caramelado
Estrondosos queriam a quase coletiva explosão

Como em uma apoteose de um show queriam ser pipoca
Sair fumegando da panela ao pote gélido
Assistir juntos as últimas cenas de algo
Centenas vivendo por um breve minuto em êxtase

Não era decisão fácil,
viver calmamente para gerar centenas
ou em meio a centenas experimentar um momento único de transformação

E, em poucos minutos,
estas eram as supostas escolhas daquele grão
Mas o destino não estava em suas mãos,
e sim na que pega as sacas

Mas por sorte, grãos de milho que não somos,
podemos plantar raízes no chão
e viver êxtases de pipoca

Porém, se lhe fosse única a escolha
Qual seria seu destino?
Um milho para gerar milhão
ou ir-se junto com um milhão de milhos?

Popcorn is just a way that corn found to become pop.

 

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Zero cópula. Não, não é sobre virgindade!

O amor é um verbo

O amor é um verbo

Ok, com este título certamente já ficou claro que o sentido de copula aqui é outro. É o de ligação. E quem mais para fazer a ligação do que o verbo, afinal no princípio era ele, não? Zero copula é o termo para um fenômeno que ocorre em alguns idiomas, de forma mais o menos intensa, no qual temos sujeito e predicado “unidos” sem o verbo. A intensidade vai desde a inexistência do verbo em si, até o seu uso opcional ou omissão apenas em casos de conversação mais informal.

O caso que citei em outro post (ser ou não ser, eis a questão em russo) ilustra esta situação, onde o verbo “byt” é normalmente omitido no presente, mas é usado regularmente em outros tempos verbais, bem como quando se fala um “pode ser/talvez” (mojet byt). Mas outros idiomas também compartilham este curioso fenômeno. O Ucraniano e o Bielo-Russo são próximos, não contam, mas temos também o Turco, Húngaro, Hebraico, Árabe e a língua de sinais americana (American Sigh Language). Já em outros idiomas isto pode ocorrer de forma muito pontual.

O interessante aqui é que aquilo que por vezes nos pareceria uma forma mais dura, sintética de falar, na realidade é em muitos casos apenas uma característica do idioma e um reflexo de sua evolução ao longo do tempo. Cabe a nós nos surpreender, mas ao mesmo tempo respeitar isto. Se no árabe você diz “Mohamed médico” para colocar que ele tem esta profissão, pode parecer algo como um filme dublado de faroeste onde os índios falam sem verbo, mas é assim que literalmente é dito neste idioma.

Apenas para reforçar (e mostrar que a dublagem não era tão ruim assim), certos idiomas de índios norte-americanos também apresentam situação similar ao da Zero Copula. Na verdade a Zero Copula propriamente dita ocorre com alguns idiomas de índios sul-americanos, sendo que no caso acima temos uma conjugação por afixo dos substantivos ou adjetivos, algo que também ocorre no coreano. Mas isto já é outro assunto e vai muito além do que andei lendo e pesquisando.

Para ver rapidamente com isto ocorre no russo leia “ser ou não ser, eis a questão em russo

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Um pouco sobre Altmetria, Ciência Aberta e desafios para os cientistas hoje em dia

Hoje foi dia de falar a convite de Sarita Albagli. Uma participação no Mini Curso Diálogos de Pesquisa: Comunicação Científica e Publicação Aberta. Coloquei o marcador a partir da minha fala para facilitar (se não funcionar, começo a partir de 01h30 do vídeo), mas recomendo, aos que tiverem fôlego, que assistam o vídeo completo onde há falas de Simone Weitzel e também de Andre Appel.

Há um vídeo também de continuidade deste debate com a Iara Vidal.

Obs1: As opiniões expressas nesse vídeo são minhas e não representam a posição das instituições as quais eu sou afiliado.

Obs2: Algumas questões foram colocadas de forma um pouco mais exacerbada no intuito de gerar reflexões.

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Sobre sua guarida

Em nossos portos, por vezes, as cordas são fracas
E, mesmo assim, é com elas que se amarraram os navios
Conta-se nesses momentos com a brandura dos ventos
Daqueles que balançam as velas, mas não apagam pavios

E quando a tempestade se inflama, e o mar se irrita
A cada vaga que sobe, em meio a tripulação que grita
Entreolham-se às amarras, suplicando soltura e saída
Porque é melhor sair navegando, do que naufragar na guarida

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Afinal, Popeye sabia de tudo neste caso?

Outro dia eu estava falando sobre midiatização de ciência e o caso do artigo de biocélulas fotoelétricas (ver: Popeye sabia de tudo!). Neste artigo, usaram espinafre como fonte da parte biológica do experimento no lugar de outros modelos clássicos. O resultado foi notícias do tipo “Popeye estava certo! Espinafre turbina biocélulas fotoelétricas!”. Lendo o “paper” vê-se que o uso do espinafre não teve qualquer influência nos resultados da pesquisa.

Aqui temos um exemplo diferente. Usaram as folhas de espinafre para aproveitar ela como “forma” e criar um tecido que se assemelha a vasos para irrigação sanguínea. Ok, talvez outras folhas pudessem ser usadas. Eu talvez apostasse na bertalha 🙂 , mas a escolha neste caso parece ter sido um “fair use”. Quem pode ter certeza?

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