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Categoria: ciência e sociedade

Quanto tempo o tempo tem?

Hoje finalmente vi “Quanto tempo o tempo tem”. Não dura tanto tempo assim. É pena, queria ter mais. O documentário é muito bom. Muita coisa para pensar. Ótimas falas vindas de todos os entrevistados, muitas reflexões para se ter diante do próprio espelho. Aguardem a fala final de Domenico De Masi após os primeiros créditos de fechamento. E se perca junto com seu tempo assistindo. Vale a pena, e tá no Netflix!
Trailer no Youtube [https://www.youtube.com/watch?v=Rl6FWgBQwAw]
Link para o NetFlix [https://www.netflix.com/br/title/80187187]

Quanto Tempo o Tempo Tem?

Quanto Tempo o Tempo Tem?

 

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O erro médico é terceira causa de morte nos EUA.

O erro médico é terceira causa de morte nos EUA. É o que fala o artigo Medical error—the third leading cause of death in the US publicado na BMJ 2016; 353 DOI: https://doi.org/10.1136/bmj.i2139 que foi o segundo lugar no Altmetric Attention Score de 2016.

O áudio abaixo é de uma “entrevista” sobre o tema com um dos autores. Bem interessante, e não é atoa que teve tamanha repercussão online. Foi no Facebook o que teve mais reações (likes e demais) em post vinculados ao artigo, o segundo em comentários sobre e o primeiro em compartilhamentos. Já no Twitter cai para quarto em empate técnico com o quinto colocado, e não teve tanto sucesso assim que levasse ao download acadêmico do arquivo (medido aqui indiretamente com a incorporação ao Mendeley).

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Clássicos sobre o debate do Fator de Impacto.

Então, tudo começou numa conversa que com amigos no Facebook (Stevens Rehen e Felipe Rodrigues da Silva), e daí me toco que nunca compartilhei esses links por aqui. Clássicos sobre o debate do Fator de Impacto que foram motivados pelo post sobre o artigo do Blog Scielo abaixo. Este vai ser um post um tanto telegráfico, mas acredito que valha a pena.

Vamos começar com “A miopia dos indicadores bibliométricos” do Blog Scielo que falei acima:

http://blog.scielo.org/blog/2017/06/01/a-miopia-dos-indicadores-bibliometricos/#.WTLMTIVv-Ed

Para quem não leu, e se interessa por Cientometria e indicadores de ciência e tecnologia, recomendo a leitura do Manifesto de Leiden. Tem versão em portugues traduzida pela Sibele Fausto [@Sibele Fausto].

http://www.leidenmanifesto.org/

tradução para o português: http://www.leidenmanifesto.org/uploads/4/1/6/0/41603901/leiden-manifesto-portuguese-br-final.pdf

Não dá para pensar em indicadores de ciência e tecnologia e avaliação, e não ter em mente o DORA – San Francisco Declaration on Research Assessment. Simplismente indispensável.

http://www.ascb.org/dora/

Foi publicado na Science em 2008 o artigo – The Misused Impact Factor

http://science.sciencemag.org/content/322/5899/165

Uma boa leitura, e aqui está o link direto para o PDF (Acesso Aberto)

http://science.sciencemag.org/…/sci/322/5899/165.full.pdf

E para aqueles que querem uma visão mais “cientométrica”, por assim dizer, um artigo da Scientometrics, revista de alta relevância para o campo – History of the journal impact factor: Contingencies and consequences:

https://doi.org/10.1007%2Fs11192-007-2036-x

E é claro, um link para a versão unpaywalled. 🙂

http://science-metrix.com/pdf/Archambault_Scientometrics_HistoryIF.pdf

Compartilho também, novamente, o link para um texto curto que escreví para o Observatório em Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde da Fiocruz [Observatório CTIS] com o título “Impacto Real e Imediato?“.

“Para além dos microscópios, que nos permitiram ver de perto detalhes do nosso mundo, é já o momento de se conceber “macroscópios”.”

obs: a figura no texto não está aparecendo mais, mas vocês podem achar ela pelo link para o artigo científico.

http://observatorio.fiocruz.br/ponto-de-vista/altmetria

E por último, um breve olhar sobre a Altmetria, num editorial que escrevi para revista Trabalho, Educação e Saúde.

http://dx.doi.org/10.1590/1981-7746-sip00126

A altmetria e a interface entre a ciência e a sociedade

Mas, ok, eu coloquei um monte de textos. E você quer apenas uma rapida sacudida sobre a questão dos indicadores de ciência e tecnologia? Siga então para o vídeo de pouco mais de quatro minutos sobre o Manifesto de Leiden. Você não vai se arrepender.

https://vimeo.com/133683418 [infelizmente só em inglês]

The Leiden Manifesto for Research Metrics from Diana Hicks on Vimeo.

 

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O que nós acreditamos, mas não podemos provar

Tudo o que precisamos são provas, para assim poder chegar na verdade. Será? Bem, em ciência fatos e dados são uma das linhas de frente para as pesquisas. Para julgamentos de crimes praticados, a prova cabal é buscada com afinco pelos investigadores também. Assim, a frase “Não temos provas, mas temos convicção” atribuída falsamente à um membro do Ministério Público Federal causaria naturalmente grande repercussão nas redes sociais. Mas, mesmo na ciência, muitas questões pairam nas mentes de pensadores quanto ao que se acredita, mas não se pode ainda provar.

What We Believe But Cannot Prove

What We Believe But Cannot Prove

Este é o tema de “What We Believe but Cannot Prove: Today’s Leading Thinkers on Science in the Age of Certainty (Edge Question Series)” editado por John Brockman. Neste livro, respostas à uma pergunta feita pela Fundação Edge são respondidas por 107 colaboradores que vão de Richard Dawkings a Craig Venter. O objetivo era basicamente levantar temas os quais aqueles que estão nas fronteiras da pesquisa acreditam, mesmo que ainda não tenham reunido provas para definitivamente comprovar. O que parece contra uma visão purista da ciência é na realidade algo corriqueiro. Considerar uma imparcialidade total dos atores dos processos de pesquisa seria na verdade ingenuidade. Há o claro exercício de se pôr à prova tudo o que pensamos ou teorizamos, mas não se pode desumanizar a ciência e seus processos. E não passou desapercebido o desconforto dos respondentes em se deixar levar e falar sobre suas suposições mesmo que não embasadas em fatos.

Este é um livro que tive contato rápido e está na minha lista de leitura faz um bom tempo. Lembrei-me exatamente por conta desta polêmica, e cheguei a ler uns ensaios dele online. Mas como diria Silvio Santos, “Eu não vi, mas meus funcionários gostaram”, ou seja, se acharem que vale a leitura completa, deixem uma mensagem. Tenho convicção de que vocês vão gostar.

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A “Tradicional Família de Propaganda de Margarina” e os divórcios no Maine EUA.

“Os números comprovam coisas”. Assim pensam aqueles que acreditam sem juízo nas estatísticas. Mas sem contexto, sem pensar se realmente uma coisa tem relação com a outra, podemos ser surpreendidos por aquilo que pelo acaso apresenta correlação perfeita. Assim, a população de pinguins de uma determinada espécie que habite uma ilha Antártica pode andar em linha com as instalações de Linux, ou quem sabe a produção de maças da variedade McIntosh cultivada no leste do Canadá seja um ótimo indicador da oscilação das ações da Apple.

Maçã da variedade McIntosh

Maçã da variedade McIntosh

Por conta disso, é sempre importante ver se o que se deseja testar faz algum sentido. O que você vai obter com seu teste ou com sua análise de agrupamento é uma resposta, quer você tenha feito tudo certo ou errado, que vai dizer se há ou não motivo para suspeitar que os dados aportados tem relação ou como estes deveriam ser agrupados a partir do que foi fornecido. Veja, você terá uma resposta, mas quem fez a pergunta, doida ou não, foi você. Não vai adiantar botar a culpa nos números ou achar que se está dito assim, logo algo deve ser torcido na relação espaço tempo para acomodar o absurdo proposto.

Não infrequentemente, vamos nos deparar com erros no uso ou na interpretação de dados a partir da aplicação de alguma metodologia, a qual simplesmente foi feita pelo pesquisador porque “todo mundo faz assim” e se “x<y” ou se “a” juntou com “b”, logo, que assim seja. Não é para menos que hoje o artigo com maior índice no Altmetric Attention Score seja um no qual se trata do mau uso do p – probabilidade de significância – estatístico [dx.doi.org/10.1038/506150a]. É para se pensar, e pensar novamente.

Por outro lado, para dar maior visibilidade a este absurdo, Tyler Vigen produziu uma série de casos de correlações espúrias no livro “Spurious Correlations”. Nele você poderá ver que ao contrário do que se pensa, consumir mais margarina não leva a famílias tradicionais mais felizes. Há uma correlação quase perfeita com a redução deste consumo e do número de divórcios.

Proporção de divórcios e per capta do consumo de margarina no estado do Maine - EUA

Proporção de divórcios e per capta do consumo de margarina no estado do Maine – EUA

Ao menos no estado do Maine – EUA, quanto menos famílias margarina, mais casamentos duradouros. Bem que eu nunca achei que ela serviria para besuntar as relações familiares. O absurdo da mensagem publicitária já falava por si só. Entretanto, é bem provável que hoje exista no Maine uma paróquia na qual se apregoe o uso da manteiga. Até o dia em que o pároco vá ver o Último Tango em Paris.

Mas, para aqueles que tem fé nos números, insisto que este post não se propõe a ser um desmonte. Apenas gostaria de alertar que cuidado e boas perguntas científicas nunca fizeram mal à ninguém. E se sabemos que o Aquecimento Global tem correlação perfeita com o desaparecimento dos piratas, o mundo tem salvação! Ahoy! 🙂

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Computadores são inúteis, eles podem apenas dar a você respostas

Esta frase atribuída à Pablo Picasso (e que Nossa Senhora das Citações Encontradas na Internet me salve de erro) era para estar na epígrafe da minha tese. O que o pintor queria dizer com isso eu não posso especular, mas a questão que queria levantar falarei por aqui.

Sim, computadores são inúteis sem nós. Respostas servem para quem sabe o que está perguntando e as limitações destas respostas. A criatividade é nossa, da criação da computação até a programação para se obter um resultado. Era para ser esta a ideia, mas alguns tomaram como crítica à computação como um todo, à internet, à web e em última instância até mesmo ao trabalho que estava desenvolvendo. Achei estranho pois sabia exatamente o que eu queria dizer com isso, mas pelas reações percebi que não estava sendo compreendido. Queria chamar a atenção para o fato que os números sem “alma” não nos diriam nada. Que as respostas apenas são inúteis sem o contexto necessário para se compreender que perguntas fizemos e o que podemos concluir com isso. Vai ao encontro das análises que podemos fazer com “clustering”, porque seja lá o que for que você colocar lá, você terá ao final um conjunto de agrupamentos formados. A colheita de café de uma fazenda do interior de São Paulo pode ter correlação perfeita com a população de guanacos no norte do Chile, mas cabe saber se esta correlação faz algum sentido. 😉

Em síntese, precisamos estar atentos à tudo isso. Temos que saber fazer ciência de uma forma melhor a cada dia. Devemos isto a nós mesmos e a sociedade que nos financia.

A imagem abaixo é de uma exposição do Virginia Museum of Fine Arts sobre suas pinturas que usou QR Codes para promovê-la.

Image of Picasso in QR code

imagem de Picasso em QR code – divulgação de exposição no Virginia Museum of Fine Arts

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