webometria, cibermetria, altmetria...

estudos métricos da informação e muito mais

Categoria: divulgação científica

Quanto tempo o tempo tem?

Hoje finalmente vi “Quanto tempo o tempo tem”. Não dura tanto tempo assim. É pena, queria ter mais. O documentário é muito bom. Muita coisa para pensar. Ótimas falas vindas de todos os entrevistados, muitas reflexões para se ter diante do próprio espelho. Aguardem a fala final de Domenico De Masi após os primeiros créditos de fechamento. E se perca junto com seu tempo assistindo. Vale a pena, e tá no Netflix!
Trailer no Youtube [https://www.youtube.com/watch?v=Rl6FWgBQwAw]
Link para o NetFlix [https://www.netflix.com/br/title/80187187]

Quanto Tempo o Tempo Tem?

Quanto Tempo o Tempo Tem?

 

Compartilhar, Enviar, Imprimir?Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInShare on RedditEmail this to someonePrint this page

O que nós acreditamos, mas não podemos provar

Tudo o que precisamos são provas, para assim poder chegar na verdade. Será? Bem, em ciência fatos e dados são uma das linhas de frente para as pesquisas. Para julgamentos de crimes praticados, a prova cabal é buscada com afinco pelos investigadores também. Assim, a frase “Não temos provas, mas temos convicção” atribuída falsamente à um membro do Ministério Público Federal causaria naturalmente grande repercussão nas redes sociais. Mas, mesmo na ciência, muitas questões pairam nas mentes de pensadores quanto ao que se acredita, mas não se pode ainda provar.

What We Believe But Cannot Prove

What We Believe But Cannot Prove

Este é o tema de “What We Believe but Cannot Prove: Today’s Leading Thinkers on Science in the Age of Certainty (Edge Question Series)” editado por John Brockman. Neste livro, respostas à uma pergunta feita pela Fundação Edge são respondidas por 107 colaboradores que vão de Richard Dawkings a Craig Venter. O objetivo era basicamente levantar temas os quais aqueles que estão nas fronteiras da pesquisa acreditam, mesmo que ainda não tenham reunido provas para definitivamente comprovar. O que parece contra uma visão purista da ciência é na realidade algo corriqueiro. Considerar uma imparcialidade total dos atores dos processos de pesquisa seria na verdade ingenuidade. Há o claro exercício de se pôr à prova tudo o que pensamos ou teorizamos, mas não se pode desumanizar a ciência e seus processos. E não passou desapercebido o desconforto dos respondentes em se deixar levar e falar sobre suas suposições mesmo que não embasadas em fatos.

Este é um livro que tive contato rápido e está na minha lista de leitura faz um bom tempo. Lembrei-me exatamente por conta desta polêmica, e cheguei a ler uns ensaios dele online. Mas como diria Silvio Santos, “Eu não vi, mas meus funcionários gostaram”, ou seja, se acharem que vale a leitura completa, deixem uma mensagem. Tenho convicção de que vocês vão gostar.

Compartilhar, Enviar, Imprimir?Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInShare on RedditEmail this to someonePrint this page

A “Tradicional Família de Propaganda de Margarina” e os divórcios no Maine EUA.

“Os números comprovam coisas”. Assim pensam aqueles que acreditam sem juízo nas estatísticas. Mas sem contexto, sem pensar se realmente uma coisa tem relação com a outra, podemos ser surpreendidos por aquilo que pelo acaso apresenta correlação perfeita. Assim, a população de pinguins de uma determinada espécie que habite uma ilha Antártica pode andar em linha com as instalações de Linux, ou quem sabe a produção de maças da variedade McIntosh cultivada no leste do Canadá seja um ótimo indicador da oscilação das ações da Apple.

Maçã da variedade McIntosh

Maçã da variedade McIntosh

Por conta disso, é sempre importante ver se o que se deseja testar faz algum sentido. O que você vai obter com seu teste ou com sua análise de agrupamento é uma resposta, quer você tenha feito tudo certo ou errado, que vai dizer se há ou não motivo para suspeitar que os dados aportados tem relação ou como estes deveriam ser agrupados a partir do que foi fornecido. Veja, você terá uma resposta, mas quem fez a pergunta, doida ou não, foi você. Não vai adiantar botar a culpa nos números ou achar que se está dito assim, logo algo deve ser torcido na relação espaço tempo para acomodar o absurdo proposto.

Não infrequentemente, vamos nos deparar com erros no uso ou na interpretação de dados a partir da aplicação de alguma metodologia, a qual simplesmente foi feita pelo pesquisador porque “todo mundo faz assim” e se “x<y” ou se “a” juntou com “b”, logo, que assim seja. Não é para menos que hoje o artigo com maior índice no Altmetric Attention Score seja um no qual se trata do mau uso do p – probabilidade de significância – estatístico [dx.doi.org/10.1038/506150a]. É para se pensar, e pensar novamente.

Por outro lado, para dar maior visibilidade a este absurdo, Tyler Vigen produziu uma série de casos de correlações espúrias no livro “Spurious Correlations”. Nele você poderá ver que ao contrário do que se pensa, consumir mais margarina não leva a famílias tradicionais mais felizes. Há uma correlação quase perfeita com a redução deste consumo e do número de divórcios.

Proporção de divórcios e per capta do consumo de margarina no estado do Maine - EUA

Proporção de divórcios e per capta do consumo de margarina no estado do Maine – EUA

Ao menos no estado do Maine – EUA, quanto menos famílias margarina, mais casamentos duradouros. Bem que eu nunca achei que ela serviria para besuntar as relações familiares. O absurdo da mensagem publicitária já falava por si só. Entretanto, é bem provável que hoje exista no Maine uma paróquia na qual se apregoe o uso da manteiga. Até o dia em que o pároco vá ver o Último Tango em Paris.

Mas, para aqueles que tem fé nos números, insisto que este post não se propõe a ser um desmonte. Apenas gostaria de alertar que cuidado e boas perguntas científicas nunca fizeram mal à ninguém. E se sabemos que o Aquecimento Global tem correlação perfeita com o desaparecimento dos piratas, o mundo tem salvação! Ahoy! 🙂

Compartilhar, Enviar, Imprimir?Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInShare on RedditEmail this to someonePrint this page

Estudos Webométricos de Associações de Museus e Centros de Ciência

Foi uma trajetória surpreendente para mim mesmo. De uma ideia que tive sobre o potencial dos links como fonte de informação sobre o sucesso dos sítios Web até a descoberta de um campo de estudo com métricas e métodos próprios se passou um ano. Depois foi mergulhar na Webometria e buscar trilhar o caminho que levaria ao trabalho de tese final. Minha escolha pelos Museus e Centros de Ciência vem do meu cotidiano. Trabalho em um museu, respiro divulgação científica. Mas a Web sempre foi fascinante para mim, e ao mesmo tempo demorei para me ver também como um profissional da área de informação. Olhando para trás vejo minhas dúvidas, curiosidades e mesmo minha vontade de entender a complexidade das relações estabelecidas entre instituições neste novo meio. Encontrar o caminho foi tudo e tornou este processo mais e mais gratificante.

Mas este post é para compartilhar, divulgar, deixar aberta a “flauta de minhas próprias vertebras”. O trabalho monográfico é tenso, as vezes solitário, e num dado momento exaustivo e desgastante. Ao final temos algo do qual nos orgulhamos mas no fundo achamos que podia ser mais, sempre mais, muito além do que é possível para qualquer mortal. Hoje leio minha tese e me incomodo com o “xWIF” escrito no lugar de “eWIF”, com detalhes que só mesmo eu sei que poderiam ter sido diferentes com um tempinho a mais e o distânciamento necessário para que os ohos pudessem novamente enxergar. Ainda não preparei, mas certamente colocarei no futuro uma versão com links e DOIs para toda a bibliografia. Tocarei os “x” por “e” para meu deleite, além de outros ajustes bestas, mas que no fundo servirão para justificar uma versão 2.0. Pois se é para ser revista que seja para ser revisitada. Mesmo que seja apenas para que eu fique mais próximo do orgulho pleno de um trabalho.

Vai o anexo:

GOUVEIA, Fábio Castro. Estudos Webometricos de Associacoes de Museus e Centros de Ciencia. Rio de Janeiro: UFRJ, 2007. 210p. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-graduação em Química Biológica, Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.

Assinatura da Ata de Defesa de Tese de Doutorado

Assinatura da Ata de Defesa de Tese de Doutorado

Compartilhar, Enviar, Imprimir?Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInShare on RedditEmail this to someonePrint this page

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén