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Categoria: mecanismos de busca

US$ 850 mil para criação de um mecanismo de pesquisa acadêmico de acesso aberto e com inteligência artificial

Com o objetivo de ajudar o público a encontrar e entender pesquisas científicas, a Startup sem fins lucrativos Impactstory anunciou hoje um novo financiamento de US $ 850.000, concedido pela Arcadia, um fundo de caridade de Lisbet Rausing e Peter Baldwin, para criar um mecanismo de busca gratuito para encontrar, ler e entender pesquisas revisadas por pares. A Impactstory fará parceria com o Internet Archive e a British Library para o projeto.

O novo mecanismo de busca será construído em um índice aberto de 20 milhões de artigos acadêmicos de acesso aberto (OA) e incorporará uma camada de interface usando inteligência artificial para anotar, resumir e vincular artigos usando linguagem simples.

O backbone do novo mecanismo de pesquisa será o banco de dados de artigos OA da Impactstory, chamado Unpaywall. Lançado no final de 2016, o Unpaywall oferece uma extensão gratuita do Chrome agora usada por 150.000 leitores e uma API gratuita que é usada em milhares de bibliotecas acadêmicas e lida com mais de 1,5 milhão de usuários únicos diariamente. Outros usuários incluem o Clarivate Web of Science, o Digital Science Dimensions, as avaliações científicas nacionais no Reino Unido, na Suíça e em outros lugares.

No entanto, apesar do uso pesado do banco de dados, a maioria das integrações até o momento não procurou engajar o público em geral. De fato, poucos projetos atenderam à necessidade de um mecanismo de busca único e abrangente para a OA destinado ao leitor não-especialista.

“Estudantes, pacientes, cientistas cidadãos, estudiosos do mundo em desenvolvimento: há muitos que precisam encontrar, acessar e entender a literatura acadêmica”, observa Heather Piwowar, co-fundadora da Impactstory. “Hoje há uma oportunidade única de atender a essa necessidade, aproveitando duas tendências: o crescimento no Acesso Aberto e as melhorias drásticas na tradução, sumarização e recomendação com tecnologia AI”.

O futuro da publicação acadêmica parece cada vez mais ser o Acesso Aberto. Um memorando da Secretaria da Ciência e Tecnologia da Casa Branca de 2013 exige que seja feita uma pesquisa financiada pelo governo dos EUA, enquanto na Europa um mandato ambicioso exige que 100% das pesquisas financiadas pela Europa sejam OA até 2020. Quase metade da literatura de pesquisa já é OA, e estudos mostram rápido aumento nesta porcentagem nos últimos anos.

No entanto, obter literatura de pesquisa nas mãos de leitores não especializados continua sendo um desafio. “A literatura do OA está espalhada por todo lado”, observa Jason Priem, outro co-fundador da Impactstory, “e assim, apesar da promessa da OA, não tivemos um lugar onde pudéssemos dizer aos leitores leigos onde é possível ler pesquisa confiável sobre qualquer coisa. ”Com essa nova concessão, estamos fazendo esse lugar. Além disso, estamos adicionando uma interface com tecnologia AI que torna os artigos mais compreensíveis para as pessoas. ”

Uma versão beta do mecanismo de busca será lançada no outono (do hemisfério norte) (os primeiros a aderir podem se inscrever para acesso antecipado em http://gettheresearch.org). A versão beta incluirá suporte para vários idiomas, uma API aberta e altmetrias integradas. Embora o foco esteja em leitores não especialistas, a equipe também explorará maneiras de envolver usuários acadêmicos, especialmente aqueles com acesso incompleto a assinaturas.

Ao associar-se a instituições estabelecidas, a Impactstory ganha colaboradores experientes para enfrentar os desafios técnicos e sociais do projeto. “O Internet Archive e a British Library compartilham nossa paixão por ajudar as pessoas a acessar o conhecimento, e estamos entusiasmados em trabalhar com eles”, diz Piwowar.

“Na British Library acreditamos em disponibilizar o conhecimento do mundo para pessoas de todas as origens”, diz Torsten Reimer, chefe de serviços de pesquisa. “Estamos entusiasmados em trabalhar com a Impactstory para tornar as publicações acadêmicas mais acessíveis”.

“O Internet Archive compartilha a missão da Impactstory de permitir acesso aberto a resultados de pesquisa. Combinar nossa capacidade de arquivamento em grande escala com a fantástica descoberta da Impactstory e serviços OA como o Unpaywall promete permitir acesso fácil e gratuito ao conhecimento publicado”, afirma Jefferson Bailey, Diretor de Arquivamento na Web e Serviços de Dados.

A Impactstory é uma organização sem fins lucrativos com uma longa história de construção de ferramentas para tornar a ciência mais aberta. Seu início ocorreu em um hackathon em 2011, onde Piwowar (então uma pós-doutora da Duke) e Priem (um estudante de PhD na Universidade da Carolina do Norte – Chapel Hill) ficaram acordados a noite toda construindo um protótipo de website para ajudar os acadêmicos a aprender sobre seu impacto na ciência aberta. Desde então, eles criaram várias ferramentas de produção, incluindo Depsy e Impactstory Profiles. Os financiadores anteriores incluem a Fundação Nacional de Ciência dos EUA, a Fundação Alfred P. Sloan, a Fundação Shuttleworth e a Open Knowledge International.

Arcadia é um fundo de caridade de Lisbet Rausing e Peter Baldwin. Apoia instituições de caridade e instituições acadêmicas que preservam o patrimônio cultural e o meio ambiente. A Arcadia também apóia projetos que promovem o acesso aberto e todos os seus prêmios são concedidos com a condição de que quaisquer materiais produzidos sejam disponibilizados gratuitamente on-line. Desde 2002, a Arcadia concedeu mais de US $ 500 milhões para projetos em todo o mundo.

Traduzido de: https://docs.google.com/document/d/e/2PACX-1vSMb-rt7ieIuJr9uvnTAIJUhOzhqGo06bC6nf6dvKdgmBPE9TGp5ttvqPyNuU2f55q6SdSXjjp6jBRL/pub

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Mentoria para seu projeto de pesquisa

Muitos amigos que acompanham o que escrevo por aqui não sabem, mas eu pesquiso e oriento nas áreas de Divulgação Científica e Ciência da Informação. O foco dos cursos que dou nas pós-graduações está no uso de novas tecnologias para divulgação científica e na coleta de dados de produção acadêmica e levantamentos em mídias sociais da repercussão online de publicações ou temas de ciência (principalmente). Se os nomes Bibliometria, Cibermetria, Webometria e Altmetria não fazem sentido, em parte o parágrafo anterior da conta de explicar um pouco disso.

Com esses dados todos dá também para se estudar e descobrir muitas coisas legais e interessantes, além de se fazer lindos grafos (como o da imagem que fica no meu perfil) ou diagramas representando e sintetizando o que se observou. O que vai definir o que cada elemento do grafo representa vai depender de escolhas que você precisa fazer sabiamente, e isso vai desde o recorte inicial para sua coleta, até o tratamento que você vai dar na hora de representar vínculos (arestas) e atores (nós) que estarão ali representados.

Bom, desculpem-me pelo “textão”, mas isso tudo é só para dizer que dentro da filosofia que sempre falo no início dos meus cursos de pós, resolvi ver se consigo ampliar minha humilde contribuição para desenvolvimento do campo da ciência no qual eu tenho atuado nos últimos 20 ou 10 anos (20 de DC e 10 de CI). Inspirado na proposta que meu amigo dos tempos de colégio Michel Lent fez, resolvi disponibilizar uma agenda pública na qual semanalmente estarei oferecendo uma hora e meia para uma mentoria focada no seu projeto de pesquisa. Se eu serei de algum auxílio vai depender de você corretamente ver em mim alguém que pode ajudar e eu conseguir fazer isso 😊.

Basta entrar no link [https://fabio-gouveia.youcanbook.me/], ver que dia terei disponível, e marcar. As conversas serão preferencialmente por Google Hangout ou ferramenta similar, mas algo presencial pode ser viabilizado para os que estão na minha cidade. Peço antes de tudo que entendam que como é uma experiência nova eu certamente demorarei um tempo para conseguir colocar isso em rotina de fato. Por isso é possível que eu tenha que reagendar seu pedido. E eu estarei avaliando os pedidos para tentar priorizar os que eu identificar que tenho maior potencial de ajudar em algo.

Se tudo der certo, e você ficar contente, lembre-se de mim nos agradecimentos (ou acknowledgements) e faça uma excelente pesquisa pois o que mais precisamos é de bons projetos para consolidar ainda mais essas áreas no Brasil. Se você é de Portugal é também super bem-vindo. Se seu idioma nativo é espanhol ou inglês (e se conseguiu ler este texto ou alguém lhe explicou o que este louco aqui escreveu), podemos conversar neste idioma, desde que você aguente o meu sotaque e alguns falsos cognatos. Estou ansioso para ver como este experimento vai fluir. Espero que seja uma experiência incrível para mim e para todos que participarem.

Forte abraço a todos e até o próximo Hangout!

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A serendipidade da Web e o foco no usuário

Tempos atrás escrevi sobre os links e a Web e acabei tocando nas surpresas positivas que temos quando navegamos ou buscamos coisas online. Serendipidade, um anglicismo, eu sei, mas que tem tudo a ver com ciência e com a Web e os resultados de busca ou navegações mais lúdicas que fazemos. Algo que faz você se perder quando vai buscar A e encontra I, o inesperado, mas extremamente relevante. Parece nestes momentos que a Web tem a flexibilidade cerebral que você gostaria de ter. 😉

Mas o caso que quero levantar aqui surgiu durante a aula que dava hoje na qual o tema tornou-se presente a partir de um texto em discussão. Levantaram a questão da otimização dos resultados de busca poder gerar uma monotonia nos resultados. De fato, o foco no usuário já é tudo há algum tempo e ao estarmos logados passamos a receber mais do mesmo, todo o tempo, como se realmente não fossemos seres complexos e estivéssemos querendo as mesmas coisas sempre. A ameaça está posta e o risco presente. Estaremos caminhando para uma formatação dos resultados e dos caminhos possíveis a partir de nós mesmos? Quem foi que disse que eu ou você não somos inteligentes o bastante para gostar de tudo ao mesmo tempo? Como sobreviverão os ecléticos? Onde estará o estímulo à criatividade e ao insight diante de uma oferta frequentemente padronizada de informações, mesmo que oriunda de momentos pontuais de escolhas que fazemos?

Fiquei preocupado com esta questão. Sempre pensei no foco no usuário como uma coisa absolutamente positiva. Mas devemos pensar que este usuário deve ser respeitado, principalmente quanto à sua inteligência e possibilidade de escolha. O mercado é o mercado, busca “empurrar” tudo e tem outros compromissos. O nosso é o de nos mantermos alertas. Sem paranoias ou visões de futuro apocalípticas, mas atentos a tudo que possa estar formatando nossas mentes, retirando de nós o direito a uma surpresa feliz, uma descoberta totalmente inesperada, uma simples e singela serendipidade.

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Os “links” entre as páginas mantêm a Web viva

Se a Web fosse uma rede fixa, estruturada de forma pouco dinâmica, ela certamente não seria “A Web”. É por este dinamismo que ela cresce e se desenvolve e nos traz surpresas a cada dia que à usamos. Mas mapear e indexar para navegar por estar rede viva e fluida não é algo tão simples assim. Requer um investimento de tempo computacional e algoritmos especializados para  que esta cartografia auxilie todos nós.

Nos primórdios isto já foi diferente. Os primeiros catálogos tentavam dar conta disso com avaliações e ordenações feitas por humanos em um trabalho humanamente impossível de se finalizar. Depois veio a fé nos meta-dados, que trouxe o apogeu do AltaVista e mecanismos de busca com princípios similares. Mas se temos conteúdo gerado por pessoas e interesses por trás das visitas, algo daria errado, mais cedo ou mais tarde.

E eis que surge a ideia brilhante de se partir da rede para ordenar a rede. Da ordem espontânea para a classificação por algoritmos. Se os “links” mantêm a Web viva eles também servem de fonte para se mapear e classificar a própria Web. Nascia o Google com o seu Page Rank e a era dos meta-dados entrava em declínio de fato.

Hoje, mais e mais dados são usados para se tentar otimizar os resultados dos buscadores. Se antes a rede de links era tudo, agora ela é apenas uma parte, já que os usuários e a personalização dos resultados cada vez mais entra em cena. Otimização de resultados, trafego direcionado, conteúdo de qualidade, quanto melhor for a experiência do usuário melhor.

A Web está cada dia mais viva, não só pelos “links” mas por tudo o que fazemos e o tanto que interagimos e somos monitorados quando estamos nela. E a questão hoje é mais o quanto os mecanismos de buscas (Google, Bing e outros) sabem do mundo e de nós mesmos. Mas isto já é outro assunto para se buscar. 😉

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