De tempos em tempos, normalmente a cada seis meses ;-), vejo notícias nos jornais falando: “Universidade do Estado está em 10 lugar no Ranking Web of Universities” ou “Instituto de Pesquisa é o quinto em pesquisa no Brasil segundo o Ranking Web of Research Centers“. Mas afinal, o que isto significa? O que mais este “ranking” faz e quais as premissas que estão por trás das posições que universidades, centros de pesquisas, hospitais, entre outros, ocupam.

A história desta iniciativa é antiga em termos de tempo Web. Começou em 2004 pelo Cybermetrics Lab, um grupo de pesquisa do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) da Espanha. No início ele listava apenas as 100 universidades topo e era anual. Com o tempo o total foi sendo ampliado (hoje são 5.000 universidades) e a frequência passou a ser de seis em seis meses (2006 em diante) e também outras categorias foram incluídas: repositórios, hospitais, centros de pesquisa, business schools. A proposta sempre teve como inspiração o conceito do Índice de Xangai (Academic Ranking of World Universities – ARWU), com uma fórmula em que diferentes rankings são consolidados, cada um com um peso diferente.

Ser o melhor neste ranking não significa que esta instituição ou universidade é melhor do ponto de vista acadêmico que outra, apesar dos resultados acadêmicos em termos de artigos publicados ser um de seus componentes, mas sim que diante de alguns critérios acessíveis via Web esta instituição dá visibilidade e obtém bons resultados de indexação levando à um bom resultado Web de um ponto de vista amplo.

No entanto, algumas questões são delicadas. Quando do anúncio do lançamento do último ranking para universidades o coordenador do grupo de pesquisa, Dr. Isidro Aguillo, recebeu questionamentos sobre o fato de universidades francesas não figurarem entre os 100 primeiros colocados. Segundo Aguillo, isto se deveu ao fato de seus repositórios institucionais não estarem dentro do domínio da universidade (ex: repositorio.univfrancesa1.fr) e sim fazendo parte de um grande repositório francês (univfrancesa1.archives-ouvertes.fr). Regras do ranking, ponto final. O fato gerou um debate, nem sempre cordial, no qual ficou claro que a política da França estava levando a um desempenho inferior ao que seria esperado dada a excelência das universidades do país.

Se de um lado temos o objetivo político desta iniciativa que é de incentivar a publicização dos resultados de pesquisa, bem como apoiar as iniciativas de acesso aberto, do outro temos uma inflexibilidade diante de políticas nacionais. Dada à situação, e levando em conta o caso brasileiro com o portal de domínio público, não pude deixar de informar que tínhamos situação similar no Brasil, mas sem o impedimento das universidades terem seu próprio banco de teses em paralelo. No caso brasileiro, não teríamos um impacto negativo, apenas uma possibilidade de problemas à frente caso se decrete uma política centralizadora como a francesa. Para termos uma ideia disso, o resultado positivo que vem sendo visto para as universidades brasileiras (USP está em 15º lugar sendo a primeira universidade não norte-americana no ranking, na frente de Cambridge, 20º, e Oxford, 25º) está diretamente ligado ao ranking de Acesso Aberto que conta o número de arquivos encontrados no Google Scholar disponibilizados nos últimos cinco anos.

Mas voltemos para a descrição do ranking. Ele é composto de quatro rankings que são consolidados e têm pesos diferentes. Ao longo do tempo, alguns ajustes foram efetuados e ferramentas para obtenção destes dados também mudaram, mas hoje temos:

Ranking de Presença na Web: Representando 20% do resultado final, este ranking ordena os sites estudados pelo número de páginas de todo tipo disponibilizadas online. Para um bom resultado é fundamental ter um domínio único central

Ranking de Impacto: Representando 50% do resultado final, ordenam-se os sites pelo número de links externos recebidos. Além disso, é feita uma análise, que influencia na colocação, quanto à diversidade de origens dos links recebidos.

Ranking de Acesso Aberto: Representando 15% do resultado final, são ordenados os sites pelo número de referências no Google Scholar à documentos em PDF, DOC, DOCX e PPT disponíveis online nos últimos cinco anos.

Ranking de Excelência: Representando os últimos 15% do resultado final, busca-se neste caso ordenar as instituições (universidades e futuramente centros de pesquisa, hospitais etc.) pelo número de artigos publicados que se situam entre os 10% mais citados no mundo.

Todo o ranking está sujeito a criticas e elucubrações. No caso deste temos a questão das justificativas para os pesos arbitrados e o último critério que foge do contexto da Web. Durante o ISSI 2009, tive a oportunidade de conversar rapidamente como o Dr. Isidro Aguillo e ele apontou também para a necessidade de constante vigília quanto a possíveis ações com o intuito de manipular os resultados finais obtidos. Instituições poderiam incluir repositórios de arquivos a mais apenas para obter melhorias no ranking de acesso aberto, no entanto, sem isto refletir uma política de disponibilização de matérias de qualidade.

Mas o principal é não tomar o Ranking Web of Universities como uma medida absoluta do sucesso institucional, principalmente do ponto de vista acadêmico. Não é a isto que este se presta. Seu foco e importância estão nos reflexos que ele causa do ponto de vista de sites institucionais cada dia mais bem produzidos e com maior volume de conteúdos de qualidade com acesso aberto.

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