webometria, cibermetria, altmetria...

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Categoria: Ranking

Mentoria para seu projeto de pesquisa

Muitos amigos que acompanham o que escrevo por aqui não sabem, mas eu pesquiso e oriento nas áreas de Divulgação Científica e Ciência da Informação. O foco dos cursos que dou nas pós-graduações está no uso de novas tecnologias para divulgação científica e na coleta de dados de produção acadêmica e levantamentos em mídias sociais da repercussão online de publicações ou temas de ciência (principalmente). Se os nomes Bibliometria, Cibermetria, Webometria e Altmetria não fazem sentido, em parte o parágrafo anterior da conta de explicar um pouco disso.

Com esses dados todos dá também para se estudar e descobrir muitas coisas legais e interessantes, além de se fazer lindos grafos (como o da imagem que fica no meu perfil) ou diagramas representando e sintetizando o que se observou. O que vai definir o que cada elemento do grafo representa vai depender de escolhas que você precisa fazer sabiamente, e isso vai desde o recorte inicial para sua coleta, até o tratamento que você vai dar na hora de representar vínculos (arestas) e atores (nós) que estarão ali representados.

Bom, desculpem-me pelo “textão”, mas isso tudo é só para dizer que dentro da filosofia que sempre falo no início dos meus cursos de pós, resolvi ver se consigo ampliar minha humilde contribuição para desenvolvimento do campo da ciência no qual eu tenho atuado nos últimos 20 ou 10 anos (20 de DC e 10 de CI). Inspirado na proposta que meu amigo dos tempos de colégio Michel Lent fez, resolvi disponibilizar uma agenda pública na qual semanalmente estarei oferecendo uma hora e meia para uma mentoria focada no seu projeto de pesquisa. Se eu serei de algum auxílio vai depender de você corretamente ver em mim alguém que pode ajudar e eu conseguir fazer isso 😊.

Basta entrar no link [https://fabio-gouveia.youcanbook.me/], ver que dia terei disponível, e marcar. As conversas serão preferencialmente por Google Hangout ou ferramenta similar, mas algo presencial pode ser viabilizado para os que estão na minha cidade. Peço antes de tudo que entendam que como é uma experiência nova eu certamente demorarei um tempo para conseguir colocar isso em rotina de fato. Por isso é possível que eu tenha que reagendar seu pedido. E eu estarei avaliando os pedidos para tentar priorizar os que eu identificar que tenho maior potencial de ajudar em algo.

Se tudo der certo, e você ficar contente, lembre-se de mim nos agradecimentos (ou acknowledgements) e faça uma excelente pesquisa pois o que mais precisamos é de bons projetos para consolidar ainda mais essas áreas no Brasil. Se você é de Portugal é também super bem-vindo. Se seu idioma nativo é espanhol ou inglês (e se conseguiu ler este texto ou alguém lhe explicou o que este louco aqui escreveu), podemos conversar neste idioma, desde que você aguente o meu sotaque e alguns falsos cognatos. Estou ansioso para ver como este experimento vai fluir. Espero que seja uma experiência incrível para mim e para todos que participarem.

Forte abraço a todos e até o próximo Hangout!

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Ranking Web of Universities: mas afinal o que é isso?

De tempos em tempos, normalmente a cada seis meses ;-), vejo notícias nos jornais falando: “Universidade do Estado está em 10 lugar no Ranking Web of Universities” ou “Instituto de Pesquisa é o quinto em pesquisa no Brasil segundo o Ranking Web of Research Centers“. Mas afinal, o que isto significa? O que mais este “ranking” faz e quais as premissas que estão por trás das posições que universidades, centros de pesquisas, hospitais, entre outros, ocupam.

A história desta iniciativa é antiga em termos de tempo Web. Começou em 2004 pelo Cybermetrics Lab, um grupo de pesquisa do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) da Espanha. No início ele listava apenas as 100 universidades topo e era anual. Com o tempo o total foi sendo ampliado (hoje são 5.000 universidades) e a frequência passou a ser de seis em seis meses (2006 em diante) e também outras categorias foram incluídas: repositórios, hospitais, centros de pesquisa, business schools. A proposta sempre teve como inspiração o conceito do Índice de Xangai (Academic Ranking of World Universities – ARWU), com uma fórmula em que diferentes rankings são consolidados, cada um com um peso diferente.

Ser o melhor neste ranking não significa que esta instituição ou universidade é melhor do ponto de vista acadêmico que outra, apesar dos resultados acadêmicos em termos de artigos publicados ser um de seus componentes, mas sim que diante de alguns critérios acessíveis via Web esta instituição dá visibilidade e obtém bons resultados de indexação levando à um bom resultado Web de um ponto de vista amplo.

No entanto, algumas questões são delicadas. Quando do anúncio do lançamento do último ranking para universidades o coordenador do grupo de pesquisa, Dr. Isidro Aguillo, recebeu questionamentos sobre o fato de universidades francesas não figurarem entre os 100 primeiros colocados. Segundo Aguillo, isto se deveu ao fato de seus repositórios institucionais não estarem dentro do domínio da universidade (ex: repositorio.univfrancesa1.fr) e sim fazendo parte de um grande repositório francês (univfrancesa1.archives-ouvertes.fr). Regras do ranking, ponto final. O fato gerou um debate, nem sempre cordial, no qual ficou claro que a política da França estava levando a um desempenho inferior ao que seria esperado dada a excelência das universidades do país.

Se de um lado temos o objetivo político desta iniciativa que é de incentivar a publicização dos resultados de pesquisa, bem como apoiar as iniciativas de acesso aberto, do outro temos uma inflexibilidade diante de políticas nacionais. Dada à situação, e levando em conta o caso brasileiro com o portal de domínio público, não pude deixar de informar que tínhamos situação similar no Brasil, mas sem o impedimento das universidades terem seu próprio banco de teses em paralelo. No caso brasileiro, não teríamos um impacto negativo, apenas uma possibilidade de problemas à frente caso se decrete uma política centralizadora como a francesa. Para termos uma ideia disso, o resultado positivo que vem sendo visto para as universidades brasileiras (USP está em 15º lugar sendo a primeira universidade não norte-americana no ranking, na frente de Cambridge, 20º, e Oxford, 25º) está diretamente ligado ao ranking de Acesso Aberto que conta o número de arquivos encontrados no Google Scholar disponibilizados nos últimos cinco anos.

Mas voltemos para a descrição do ranking. Ele é composto de quatro rankings que são consolidados e têm pesos diferentes. Ao longo do tempo, alguns ajustes foram efetuados e ferramentas para obtenção destes dados também mudaram, mas hoje temos:

Ranking de Presença na Web: Representando 20% do resultado final, este ranking ordena os sites estudados pelo número de páginas de todo tipo disponibilizadas online. Para um bom resultado é fundamental ter um domínio único central

Ranking de Impacto: Representando 50% do resultado final, ordenam-se os sites pelo número de links externos recebidos. Além disso, é feita uma análise, que influencia na colocação, quanto à diversidade de origens dos links recebidos.

Ranking de Acesso Aberto: Representando 15% do resultado final, são ordenados os sites pelo número de referências no Google Scholar à documentos em PDF, DOC, DOCX e PPT disponíveis online nos últimos cinco anos.

Ranking de Excelência: Representando os últimos 15% do resultado final, busca-se neste caso ordenar as instituições (universidades e futuramente centros de pesquisa, hospitais etc.) pelo número de artigos publicados que se situam entre os 10% mais citados no mundo.

Todo o ranking está sujeito a criticas e elucubrações. No caso deste temos a questão das justificativas para os pesos arbitrados e o último critério que foge do contexto da Web. Durante o ISSI 2009, tive a oportunidade de conversar rapidamente como o Dr. Isidro Aguillo e ele apontou também para a necessidade de constante vigília quanto a possíveis ações com o intuito de manipular os resultados finais obtidos. Instituições poderiam incluir repositórios de arquivos a mais apenas para obter melhorias no ranking de acesso aberto, no entanto, sem isto refletir uma política de disponibilização de matérias de qualidade.

Mas o principal é não tomar o Ranking Web of Universities como uma medida absoluta do sucesso institucional, principalmente do ponto de vista acadêmico. Não é a isto que este se presta. Seu foco e importância estão nos reflexos que ele causa do ponto de vista de sites institucionais cada dia mais bem produzidos e com maior volume de conteúdos de qualidade com acesso aberto.

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