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Categoria: russo

Uma amostra de cirílico em letra cursiva

Para me formar em Biologia eu peguei Russo I na Letras pois valia 6 créditos. Eu sabia a letra de imprensa – era algo como o código secreto que meu avô me ensinou para ler as letrinhas nos livros de xadrez -, e me disseram que gastava-se de um a dois meses na questão do alfabeto. Eis que eu descubro que este tempo era por conta da letra cursiva. Agora vejam a imagem e sintam o drama… 🙂

Uma amostra de cirílico em letra cursiva

Uma amostra de cirílico em letra cursiva

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Zero cópula. Não, não é sobre virgindade!

O amor é um verbo

O amor é um verbo

Ok, com este título certamente já ficou claro que o sentido de copula aqui é outro. É o de ligação. E quem mais para fazer a ligação do que o verbo, afinal no princípio era ele, não? Zero copula é o termo para um fenômeno que ocorre em alguns idiomas, de forma mais o menos intensa, no qual temos sujeito e predicado “unidos” sem o verbo. A intensidade vai desde a inexistência do verbo em si, até o seu uso opcional ou omissão apenas em casos de conversação mais informal.

O caso que citei em outro post (ser ou não ser, eis a questão em russo) ilustra esta situação, onde o verbo “byt” é normalmente omitido no presente, mas é usado regularmente em outros tempos verbais, bem como quando se fala um “pode ser/talvez” (mojet byt). Mas outros idiomas também compartilham este curioso fenômeno. O Ucraniano e o Bielo-Russo são próximos, não contam, mas temos também o Turco, Húngaro, Hebraico, Árabe e a língua de sinais americana (American Sigh Language). Já em outros idiomas isto pode ocorrer de forma muito pontual.

O interessante aqui é que aquilo que por vezes nos pareceria uma forma mais dura, sintética de falar, na realidade é em muitos casos apenas uma característica do idioma e um reflexo de sua evolução ao longo do tempo. Cabe a nós nos surpreender, mas ao mesmo tempo respeitar isto. Se no árabe você diz “Mohamed médico” para colocar que ele tem esta profissão, pode parecer algo como um filme dublado de faroeste onde os índios falam sem verbo, mas é assim que literalmente é dito neste idioma.

Apenas para reforçar (e mostrar que a dublagem não era tão ruim assim), certos idiomas de índios norte-americanos também apresentam situação similar ao da Zero Copula. Na verdade a Zero Copula propriamente dita ocorre com alguns idiomas de índios sul-americanos, sendo que no caso acima temos uma conjugação por afixo dos substantivos ou adjetivos, algo que também ocorre no coreano. Mas isto já é outro assunto e vai muito além do que andei lendo e pesquisando.

Para ver rapidamente com isto ocorre no russo leia “ser ou não ser, eis a questão em russo

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Ser ou não ser, eis a questão em russo

Boris Nicoláievitch Iéltsin feliz depois de umas vodkas

Boris Nicoláievitch Iéltsin feliz depois de umas vodkas

Ser ou não ser, eis a questão. E neste momento todos estão pensando em um homem (Hamlet, de preferência) segurando uma caveira. Mas não, nada disso! Esta cena não tem este texto, mas o título com esta famosa frase da obra de Shakespeare vai nos servir aqui para debater uma curiosidade linguística.

A frase, fácil de se dizer quando o verbo “ser” existe, pode ser um problema quando não se tem esta opção em sua língua nativa. Assim é o russo, um idioma cujo verbo ser “não existe” no presente e onde se diz “eu russo” (ia russkii – desculpem-me nada de caracteres em cirílico ainda) ao invés de “eu sou russo”. Sempre fiquei curioso sobre como diversas questões se resolviam sem este verbo presente. Em um idioma que tem vários modos é surpreendente que não tenhamos um verbo que nos soa tão lógico e necessário à comunicação.

Segundo encontrei pesquisando, o verbo ser no tempo presente era usado no passado 🙂 até o século 19, os textos de Dostoyevsky estão ai para provar, mas hoje em dia este se aplica somente para dar um tom arcaico ao russo. Para piorar as coisas, a terceira pessoa do singular do verbo ser é um hófono do verbo comer. Logicamente isto devia dar muita dor de cabeça e confusão. Quem sabe este não foi o motivo para a “copula” (ligação feita pelo verbo) ter caído? Insinuações e interpretações maldosas eu deixo para vocês.

De uma maneira geral podemos dizer que em russo se fala tudo de maneira mais direta. Ponto para eles! Lembro-me que uma vez li uma resposta em um Blog de um russo que definia que eles são “intensos”. Assim justificava que se no passado foram socialistas até o último fio de cabelo, agora eram capitalistas de carteirinha :-). Assim, esta intensidade se está logicamente refletida no idioma. Nada de gerundismos e outras aberrações linguísticas que ouvimos todos os dias pelo telemarketing. Ninguém vai “estar fazendo” nada na Rússia. La se FAZ, e ponto final! A coisa chega a um ponto que segundo o texto que indico abaixo ninguém diz que está com sede (a palavra nem existe para eles) se diz “eu quero beber”. Ninguém “está andando” na Rússia, as pessoas andam (ele anda é “on idiot”, o que justifica também o fascínio dos russos por carros :-)). Outras situações onde o verbo “ser” não é usado derivam do modo predicativo que assume que o mesmo está incluso na declinação da palavra. Na falta do verbo explicitamente colocado o mesmo é o verbo “ser”, simples assim. E assim vai; não se diz “Está frio”, apenas “frio”, e nem mesmo “eu estou com frio”, apenas “eu frio”. Em alguns momentos parece que estamos lendo ou falando com o Yoda, mas com o tempo tudo faz sentido.

Para uma leitura interessante sobre a questão do verbo “ser” em russo, dê um pulo em http://www.yearlyglot.com/2010/03/to-be-or-not-to-be-in-russian/.

E para uma continuação breve sobre “línguas sem verbos” veja meu outro post sobre Zero Copula (não, não é sobre virgindade)

Ator interpretando Hamlet. Ser ou não ser não é a questão neste momento.

Ator interpretando Hamlet. Ser ou não ser não é a questão neste momento.

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