Uma vitrine na República Tcheca (foto tirada pelo meu irmão)

Uma vitrine na República Tcheca (foto tirada pelo meu irmão)

Todo mundo já passou por isso. Vem um estrangeiro, fala algumas palavras no seu idioma, você tenta se comunicar, mas ele acaba cometendo uma enorme gafe. Ou é você mesmo que está no exterior e pensando que sabe o que vai dizer acaba falando o que o outro não entende. Pior ainda, o que ele entende bem, mas é algo totalmente diferente do que você queria. Nestas horas não resta muito a fazer a não ser se desculpar e tentar aprender mais uma. Mas o mundo das línguas está cheio destas pequenas armadilhas, seja pela proximidade do idioma, seja pela distância entre eles.

O feitiço destas palavras pode vir de origem, ou ser resultado de uma convergência de sonoridade não proposital. Se forem palavras de origem comum, então estamos falando de cognatas, mesmo que o sentido tenha ao longo de sua evolução, nos diferentes idiomas, chegado a significados diferentes. Mais precisamente, neste caso, temos o que chamamos de cognatos enganosos. Já se a origem é distinta, e a grafia similar induz ao erro, temos os chamados falsos cognatos, mesmo quando o significado é o mesmo.

Um exemplo interessante de falso cognato é o do verbo “habere” em Latim que parece ser cognato do verbo alemão “haben”, ambos com o significado de “ter”. Enquanto o primeiro vem de “dar/receber” o segundo vem de “pegar”. Por outro lado, nós costumamos aqui no Brasil a usar o termo “falso cognato” para palavras similares em diferentes idiomas, mas com significados distintos, o que é errado. Para todos os efeitos, o melhor termo para as diversas situações onde apenas queremos dizer que seja qual for a origem da palavra ela “parece mas não é”, o melhor é chama-las de heterossemânticas (ou seja, com significados distintos).

São palavras que nos enganam e fazem pensar que significam outra coisa. O tamanho da confusão vai depender do nosso idioma nativo e o outro no qual desejamos nos expressar. A confusão ocorre nos dois sentidos, mas a gafe pode ser muito maior em um dos casos. Um termo corriqueiro nosso pode ser um palavrão em outro idioma, que, por conseguinte, disfarça a má palavra em coisa que todos podem dizer na sala de jantar. 🙂

Todos nos brasileiros sempre lembramos de alguma situação com o espanhol, onde “ligación” significa o ato sexual, “saco” um casaco, “invertido” homossexual, dentre outros. Confesso que uma vez pedi de um telefone público no México “una ligacion de cobro invertido” jurando que estava pedindo uma chamada a cobrar. 🙂 Polidamente a telefonista me informou que a telefônica de lá não fazia “ligacion” e que invertido tinha outro significado naquelas bandas. Foi para mim um momento “raro” que significa estranho em espanhol, ao contrário de “exquisito” que por melhor que seja para eles a nós soa como muito estranho. 🙂

Já no italiano temos inúmeros casos. Dos mais singelos como “lei” que significa ela até “macchiare” (manchar) e pulizia (limpeza). Ou como dizia um amigo meu:

          A Itália é um país muito cordial. É o único lugar do mundo onde você pode falar para um garçom “Prego, bisogno burro!” e o cara gentilmente te traz uma manteguinha.

O principal é ficar atento, e não partir da premissa de que basta dar um “tapa” no seu idioma que ele se torna outro. Todo o cuidado é pouco e não custa ao menos dar aquela entonação de dúvida ao falar alguma palavra que não se tem certeza do significado. Se você se lembra de algum exemplo engraçado ou tem uma situação para contar, deixe seu comentário. Certamente eu aprenderei mais uma!

Em tempo, Bunda em tcheco é Jaqueta e estava em promoção na foto da vitrine acima.

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